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FELIX NASCENTES PINTO Félix Nascentes Pinto nasceu em 1° de Abril de 1900, em Macaé, no Estado do Rio de Janeiro. Em 1911 mudou-se para o então Distrito Federal. Aos 25 anos, sentiu sua primeira manifestação mediúnica, procurou então o sr. Benjamim Gonçalves Figueiredo, que possuía uma Tenda de Umbanda na Rua São Paulo. Começou ali, na Tenda Espírita Mirim, seu desenvolvimento como médium e umbandista. Assim amparado, e com muita vontade de trabalhar e pesquisar, começou seu estagio. Em virtude da grande perseguição que naquela época sofria a Umbanda no Distrito Federal, achou Benjamim que o noviço Félix deveria ir para a Bahia. Foi então para Salvador, ficando com José da Silva Costa, da “Nação Angola”, que era também conhecido como, José do Mocotó, em virtude de morar na rua do Mocotó, no bairro de Praia Grande. Félix confessa: “onde José da Silva Costa põe o pé, eu não coloco a mão. Gostaria de ser um José do Mocotó. A ele rendo minhas homenagens e respeito.”Durante quase um ano, Félix ficou ali, até sua “feitura de cabeça”. Após a revolução de 1930, transferiu-se para São Paulo, aí encontrando bastante dificuldade e acirradas perseguições aos umbandistas, mas a sua fé era inabalável, e continuou seu trabalho graças à proteção dos Guias. Félix queria saber mais sobre a Umbanda e, voltando para o Rio de Janeiro, cursou com aproveitamento a Escola de Formação de Chefe de Terreiro (CCT), na Tenda Espiritual Mirim, no período de 1937 a 1940 (conforme certificado exposto na sede do Primado de Umbanda). Voltando para São Paulo, no bairro de Vila Anastácio, um casal que muito as escondidas praticava a Umbanda, e aí Félix juntou-se a ele, continuando praticar o Culto. Passaram-se os anos e Félix percebeu que já estava na hora do Culto Umbandista impor-se. Em 1950, fundou sua própria Tenda, a Tupã Oca do Caboclo Arranca Toco só que recebeu “alforria’ – o” axé do Santo”, a ordem para montá-la –,a qual até hoje funciona dentro dos princípios e ensinamentos deixados por ele. |
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Em 1952, apesar das perseguições e outras perturbações, resolveu levara a Umbanda para a rua, fazer uma grande festa publica. Com muito sacrifício essa festa foi feita no Senac, na Rua Galvão Bueno, no bairro da Liberdade. Era em homenagem a Oxossi. Foram convidadas 11 Tendas do Rio de Janeiro e algumas de São Paulo. A delegação carioca era comandada pela pessoa que guiou seus primeiros passos, Benjamim Gonçalves Figueiredo. Quando nesse mesmo ano foi fundado no Distrito Federal o Primado de Umbanda, sob a presidência de Benjamim Gonçalves Figueiredo, Félix foi convidado a criar, em São Paulo, uma Delegacia do Primado do Rio. Assim reuniu várias Tendas em São Paulo, registrando-as no Distrito Federal. O crescimento da Delegacia, entretanto, fez com que logo depois, m 1960 ele fundasse o Primado de Umbanda do Estado de São Paulo. Já, havia então, 70 Tendas filiadas. Hoje já passaram cerca de 2 mil Tendas pelo Primado, que continua com a mesma finalidade: congregar, defender e promover a Umbanda. Daí para frente, Félix aprimorou-se dentro da Umbanda, na preparação de médiuns, pois segundo suas próprias palavras : “trata-se de algo muito complicado mexer com a cabeça de quem tem “santo” de modo errado, causa grande dano”. Preparou em sua vida cerca de 400 médiuns “confirmados” e muitos estão com suas tendas abertas, praticando a Umbanda e transmitindo os ensinamentos aprendidos. Entre muitas alegrias que no transcorrer de sua vida, a que marcou profundamente este homem foi relatada por ele a uma revista chamada Umbanda, da Editora Alves Ltda.,em 1973: “ já teve várias alegrias, mas, modéstia á parte, o que mais me alegrou aconteceu em uma festa de aniversario de uma Tenda Mirim: participavam dessa festa todas as filiais dessa tenda, umas 50 todas feitas por, Benjamim, e cada qual com sua sede própria. Eu na qualidade de dirigente de tenda aqui em São Paulo, chamando-o de pai como chamo até hoje, tive a primazia, coisa que me comove até hoje, quando o Caboclo Mirim, que é o Guia chefe daquela organização, passou para mim o comando da festividade. Essa foi uma das maiores emoções que tive na Umbanda, por que francamente, eu não merecia receber tantas honrarias como recebi diante do chefe. Outras alegrias e emoções vieram através de manifestações de espíritos em forma de Caboclos, Pretos Velhos, Exus, etc., que em um ato de magia têm realizado coisas maravilhosas. Eu me sinto felicíssimo nesses 47 anos de Umbanda.” Participou em sua vida de vários movimentos em prol da Umbanda: · Em 1953, realizou a primeira festa em homenagem a Yemanjá na Praia Grande, com um grande numero de tendas e médiuns. · No dia 8 de fevereiro de 1969, na rua Maria Marcolina, nº495, em São Paulo, “ sede do Primado de Umbanda’ e sede provisória do Souesp, foram aprovados os estatutos em assembléia geral do Souesp. Posteriormente, em 27 de junho do mesmo ano, a entidade foi registrada no livro A-19, no Cartório do Primeiro Ofício de Registro de Títulos e Documentos, sob o nº 19.571, sendo este órgão fundado como o I Congresso Umbandista do Estado de São Paulo, posteriormente, Comissão Executiva Permanente do I Congresso Umbandista do estado de São Paulo, o Primado de Umbanda foi uma das entidades que organizaram este Congresso, no qual o sr. Félix foi nomeado tesoureiro, tendo como presidente o Coronel Nelson Braga. · Em março de 1968, representou o Souesp no almoço de confraternização da família Umbandista do Vale do Paraíba. · Deu nome ao bairro Vila Mirim do município da Praia Grande, em homenagem ao Caboclo Mirim, entidade de seu Pai Benjamim. · Foi um dos primeiros umbandistas a realizar festa em Ginásio, em que se reuniam um numero muito grande de umbandistas. Inclusive, a revista Acontecimentos de Umbanda em 11/1965, o chamou de o “realizador” em referencia a festa em homenagem a Oxossi realizada no dia 19 de setembro de 1965, em comemoração ao 5º aniversário do Primado. · Em 12/1976, com “seu” Félix já falecido, ganhou uma rua com seu nome. Foi o primeiro umbandista a receber essa homenagem. No dia 6 de novembro de 1976, o Diário Oficial do Município publicou o Decreto 13.871, assinado pelo prefeito Olavo Egidio Setúbal, cujo artigo 1º diz: Fica denominada Félix Nascentes Pinto a avenida Quatro, no Jardim Helena, em São Miguel Paulista (começa na rua dr. José Artur da Nova, entre as ruas Cinco e Oito).” No artigo 2º, diz: “ deverá constar na placa: UMBANDISTA- 1975”. · Em 1970 dentro das dependências do Primado de Umbanda foi criado o Hino da Umbanda, de autoria de J.M. Alves, o qual era freqüentador da casa, e o Hino foi gravado pela curimba da tenda do Sr. Félix, que gravou outro disco em 1973. Enfim, participou de vários encontros de dirigentes, seminários, debates na televisão, fundou órgãos de defesa da Umbanda, jamais escondeu sua condição sua codificação de Líder Umbandista. A Tupã-Óca, do Caboclo Arranca Toco, é uma escola para médiuns, que trabalha, pesquisa, procura esclarecer. Por meio de catecismos, livros, palestras, todos aprendem o que são Linhas de Vibração espiritual, as Falanges, a expressão, de cada Orixá, sincretismo, recebe orientação sobre como se apresentar para uma incorporação perfeita, bem como cumprir os deveres e as obrigações de nossa Umbanda. Palavras usadas por Felix Nascentes Pinto, ouvidas de seu pai Benjamim: “Umbanda é coisa séria para gente séria”, e ainda, com suas palavras: “Umbanda prega amor e caridade sem ter covardia. Se formos atacados, nós nos defendemos através dos Orixás, Caboclos, Pretos-Velhos e assim por diante. Todos os Umbandistas moram no meu coração e merecem meu respeito; assim faço com que eu também more em seus corações. Não considero ninguém mau: alguns agem erradamente por ignorância ou falta de conhecimento, sem falar nos aventureiros, que infelizmente estão infestando nosso meio. Eles se aproveitam do rótulo de Umbanda para fazer uma série de patifarias. Os católicos se dizem irmão em Cristo, e nós somos irmãos em Oxalá, que tem como representação a imagem de Jesus Cristo. O verdadeiro umbandista deve tratar a todos e aceitar a todos sem nenhum preconceito de raça, cor ou posição social”. Félix viveu uma vida em prol da Umbanda; ao desencarne,completava 50 anos de estudos e pratica de Umbanda e Candomblé (embora só praticasse a Umbanda). Fez sua “grande viagem” no dia 20 de setembro de 1975, deixando uma lacuna jamais preenchida nos corações de quem com ele conviveu. Seus ensinamentos estão vivos nas mentes em que foram semeadas. Numa lição de amor, a humildade, caridade e abnegação (pois nem na doença ele se afastou de seus “filhos”), ensinou a todos os umbandista de verdade o quanto é difícil permanecer fiel ao sentimento nobre e puro de servir aos irmãos necessitados sem se envaidecer ou endeusar. Na verdade, muitos são os que pretendem subir a íngreme montanha da Umbanda pura, porem são raros os que na desanimam no meio da escalada, ou não optam por caminhos mais fáceis. “Muitos as chamados, Porem Poucos os Escolhidos”. “Todo aquele que se propuser a continuar a espinhosa tarefa de orientador ou médium, e não se acercar de humildade e uma forte dose de autocrítica, jamais conseguirá atingir o lugar de ILUMINADO.” Félix Nascentes Pinto Fonte: livro : OS DECANOS os Fundadores, Mestres e Pioneiros da Umbanda
Esclarecimentos
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